Tudo isso resume o que o visitante define o que é o Lajedo do Pai Mateus, um lugar único formado por um bloco de granito com mais de um quilômetro de diâmetro, no município de Cabaceiras, na região do Cariri da Paraíba.
O lajedo se sobressai entre a vegetação da caatinga do sertão quente e seco, onde é comum encontrar pequenas serras e blocos de granitos, inóspitos à sobrevivência humana e refúgio dos animais silvestres, répteis e pássaros.
O grande lajedo que tem no alto mais de 70 macacões, como são chamados os blocos de granito situados no topo dessas formações, é considerado raro pela sua formação e é considerado um dos mais belos do mundo.
O nome Pai Mateus é atribuído a um velho curandeiro, que segundo os nativos, morou como eremita há mais de 200 anos e que teria sido o dono de todas as terras. Seus descendentes ainda ocupam algumas terras.
O que se sabe sobre ele é que, durante muitos anos viveu debaixo da maior pedra do complexo e esporadicamente descia em busca de alimentos, principalmente dos frutos da região. Nada mais sobre sua história. E quem diz que sabe, não quer contar.
A área realmente tem ligação com a ocupação humana do Cariri paraibano. Acredita-se que povos primitivos já freqüentavam as belas pedras, deixando os rastros de sua passagem, através de inscrições rupestres com impressão de mãos e gravuras.
Quem visita a lapa da maior pedra vai se surpreender com duas mesas de pedras, cada uma pesando cerca de 800 quilos e que, certamente, eram utilizadas em rituais sagrados e, depois pelo Pai Mateus.
Há também, nesse mesmo macacão, um muro de pedras secas, acreditando-se que era uma espécie de parede que protegia o ambiente do frio e das chuvas. As mesas e o muro permanecem intocados até hoje.
Complementando a paisagem há outros blocos, alguns com formas que lembram figuras comuns ao nosso dia a dia, como a pedra do capacete e outras que deixaram suas marcas, quando rolaram serrote a baixo.
Para quem aprecia ou tem envolvimento com a áurea da magia e do misticismo, há duas pedras especiais, a primeira a do abraço e a segunda a da observação. A melhor hora para curti-las é após as 17 horas, quando se aproveita o momento de luz do por do sol.
Complementando a paisagem do Pai Matheus, um quilometro e meio distante, a natureza nos revela uma bela e engenhosa surpresa. A Saca de Lã, um conjunto de pedras sobrepostas, lembrando sacas de lã de algodão empilhadas.
A primeira vista, grandes indagações vão se formulando: como é possível empilhar pedras enormes daquela maneira? Como a natureza fez aquela obra de arte? Seria uma pirâmide para o culto sagrado dos nossos ancestrais? Ou eram os deuses astronautas?
São nove pedras retangulares, lembrando paralelepípedos gigantes e no topo delas uma pedra redonda. O conjunto fica às margens de um riacho e atinge a uma altura de 18 metros, o que corresponde a um edifício de seis andares.
É possível que, por sua extraordinária beleza e aspecto, o conjunto tenha sido venerado pelos indígenas e considerado um tabu para o povo tapuia, que seria proibido de escala-lo. Essa é a versão mais correta para a ausência de qualquer vestígio do homem, no passado.
Texto: Hélio Cavalcanti