O Rio Grande do Norte ainda esconde e preserva a sua mais rara jóia do turismo. Apesar de ficar no litoral da Costa Branca, poucos tiveram o prazer e a emoção de conhece-la. E por isso ela continua semi-virgem, magnífica, selvagem, emocionante, intocada e deslumbrante. As Dunas do Rosado.
Quem passa entre as praias de Porto do Mangue e Ponta do Mel, e se surpreende com o belo cenário que está atrás da pequena praia do Rosado, não sabe o espetáculo que está por vir. É uma paisagem que foge a tudo que já se mostrou em termos de dunas. Não são apenas dunas de areias brancas. Elas dominam a natureza com nuances de cores que vão do vermelho vivo ao branco imaculado.
E há momentos em que você vê o bege, o marrom, o cinza, o laranja, o abóbora, o carmim, que contrastam com o verde das árvores e o azul do mar, enfim numa seqüência de cores capaz de causar inveja a qualquer arco-íris.
E a força do vento, mudando de direção a todo o instante, também modifica o panorama. As dunas tomam as formas mais variadas que lembram rostos de pessoas, animais e até aquelas guloseimas das festas de aniversário conhecidas como suspiros.
Todo esse processo multí colorido é resultante da simbiose entre a areia alva das dunas e a terra vermelha da serra do Mel que avança em direção ao mar, a altura do município de Porto do Mangue.
Na medida em que se encontram, as duas cores da areia vão originando novas tonalidades, que vão mudando de acordo com a intensidade dos ventos. O que não muda é a beleza dos contrastes
Para que se possa curtir todo o panorama é preciso subir as dunas, em carro por tração quatro por quatro ou em buggies e há uma pequena área mais conhecida como "observatório". Não se deve ultrapassar essa área, sob pena de começar um desequilíbrio ecológico.
As dunas ficam exatamente atrás da vila dos pescadores e não é aconselhável que pessoas sem o menor conhecimento delas pilotem os carros, sob pena de sofrer graves acidentes, pois as dunas são móveis e na maioria das vezes formam verdadeiros precipícios.
Para quem está em veículo tracionado, a melhor maneira é chegar ao pé da duna, no início da manhã ou no final da tarde, por conta do sol e enfrentar uma longa e pouco inclinada subida e não deixar nada que denuncie sua presença, depois. A natureza agradece.
Quando se é apresentado à pureza do Rosado e depois que se tenta voltar ao estado natural, uma pergunta não cala em nossa consciência. Até quando? Por quanto tempo ela será mantida assim?
Para as pessoas que têm a alma preservacionista e um carinho todo especial pela mãe natureza, esta é uma grande preocupação. Vejam, se encantem, se deslumbrem, mas não permitam que a destruam ou a maculem.
Não vamos repetir o que aconteceu com as dunas da praia de Genipabu, invadidas por seus "novos donos", por explorações turísticas irresponsáveis e pela conivência dos responsáveis pela fiscalização do patrimônio da natureza, que não coibiram a invasão de construções.
E para os que começaram a se apaixonar pelo Rosado, antes de por os pés lá, um pedido: vá com todo o cuidado. Se for em veículo off-road, siga até onde seja conveniente; não procure sentir emoções rasgando as dunas; não deixe que os seus rastros maculem tanta pureza.
O melhor mesmo é caminhar, deixar o carro na comunidade de Rosado e enfrentar os vários desafios que as dunas oferecem. O da escalada, o de ir descobrindo a beleza aos poucos e a de manter intocável um dos maiores patrimônios naturais do Rio Grande do Norte.