Os olhos amendoados da turista nissei de São Paulo finalmente haviam encontrado a bela praia que havia lhe falado, cantada em prosa e verso pelas revistas de turismo como um paraíso tropical. Ela estava atravessando uma espécie de baia, que separa o continente do istmo onde está localizada a praia de Galinhos.
Depois de sair de Natal, num microônibus de turismo, ao lado de gaúchos, paulistas e estrangeiros, percorrendo 160 quilômetros de rodovia e de atravessar de barco que os nativos chamam de "motorizada", surgia Galinhos, suas dunas, seu coqueiral e o belo farol.
E não há como esquecer uma visita a Galinhos, no litoral norte potiguar, com aproximadamente dois mil habitantes, vivendo da pesca, do artesanato e, agora, do turismo. É um destino que está associando eco turismo com sol e praia. A pequena comunidade de pescadores vai, aos poucos, se descaracterizando, à medida que incorpora a vida moderna e o pequeno conforto das cidades vizinhas, além da estrutura turística.
Para quem conheceu Galinhos, 15 ou 20 anos passados, hoje vai encontrar grandes diferenças. Um coqueiral sobre dunas foi removido para dar lugar a construção de um conjunto habitacional, logo na entrada da cidade. O charme para o turista era caminhar pelas ruas de areia de praia. Atualmente, apesar de ser difícil o acesso de carro, metade das ruas da cidade está pavimentada a paralelepípedo, o que altera o clima ameno de beira de mar.
Mas Galinhos mantêm a sua magia e o seu encanto, pela sua privilegiada localização. Ela tem ao norte o oceano Atlântico, ao leste imensas dunas, ao sul e a oeste o braço de mar o que lhe transforma em um belo istmo. Sol e mar são o que a cidade lhe oferece. E precisava mais? Não, mas tem. Tem sol e rio e tem sol e piscinas naturais que são formadas na preamar, ideais para o banho de crianças e idosos.
Para quem prefere mais aventura, a dica é caminhar na orla e desbravar as dunas ou então caminhe em direção ao farol que separa a cidade de Guamaré, um outro paraíso da natureza ainda virgem. Alugar um barco, percorrendo toda a enseada que avança 16 quilômetros, tendo como paisagem dunas e manguezais, também é uma boa idéia. Procure um barco com piloto experiente e peça para dar uma paradinha na praia de Galos, distrito de Galinhos.
De carro, tração 4x4, o único acesso é pela orla marítima, a partir da praia de Caiçara do Norte, sendo recomendável que isso aconteça na baixa-mar, para não forçar muito o veículo. Para manter a tranqüilidade da vila, deixe o carro no início da praia e vá curtir a cidade a pé.
A emoção de conhecer Galinhos começa antes de você colocar os pés na praia. É no momento em que você embarca num barco motorizado para atravessar o rio Pratagil e toda a enseada de mar, tendo como cenário um belo istmo, onde está a praia. São 14 barcos em atividade, trabalhando das 5 da manhã às 8 da noite. Se você for chegar em horário diferente tem que avisar aos barqueiros, através do pessoal da pousada. A travessia no horário normal é de R$ 1,00, por pessoa.
No cais do Pratagil, há um grande estacionamento para veículos, já que é impossível um carro de passeio chegar à cidade. A Prefeitura de Galinhos mantêm serviço de vigilância permanente e oferece gratuitamente. Se você tiver sorte pode pegar até uma vaga com cobertura. A travessia é rápida e não dura 10 minutos. Os barcos são antigos pesqueiros adaptados e não oferecem muito conforto.
Galinhos está a 160 quilômetros de Natal e o acesso a partir de Natal é feita pela BR-101 até o entroncamento com a BR-406, seguindo-se por esta rodovia. Depois de João Câmara tem a rodovia estadual que leva até ao Pratagil.
Também pode se chegar à cidade, pela orla marítima, em buggy ou carro tração 4x4, a partir de São Bento do Norte e Caiçara do Norte, ou de barco motorizado através de Guamaré.
A empresa Marazul, Rua Manoel Sátiro, 01 em Ponta Negra, telefones (84) 3219-2221, 3091-2450 e 9988-4787 oferece passeios a Galinhos e Galos.