O turismo descobriu o primeiro cartão postal do Rio Grande do Norte. As areias brancas e até então imaculadas avançavam pela força do vento, encobrindo parte do coqueiral e de cajueiros, e que esbarrava diante da imensidão do mar. O Brasil estava descobrindo as suas dunas.
No início da década de 50, no século XX, um vilarejo com pequenas casas de pescadores teimava permanecer entre uma nesga de terra que separava um imenso morro de areia que mantinha respeitável distância do mar. Além das casas, o estaleiro de barcos e jangadas do mestre João da Cruz. Os ventos fortes fizeram as dunas se moverem e soterraram casas e sonhos.
Quando o turismo começou a olhar para Genipabu, poucas casas ainda apareciam soterradas e os coqueiros teimavam em sobreviver, com suas copas que iam sendo engolidas aos poucos por um mundo de areia. A população nativa não conformada com a mudança da paisagem que deu uma maior aridez à duna, insistiu em plantar novas mudas de coqueiros e poucos sobreviveram.
A exploração desenfreada do destino turístico, com a descoberta dos passeios de buggues, com ou sem emoção, foi uma sentença para seu futuro promissor. Quem chegava a Natal, trinta anos passados, tinha que ter seu "passaporte" carimbado em Genipabu. Os caminhos nas dunas se multiplicaram e o eco-sistema não resistiu ao furor do ronco de motores desenfreados e sem qualquer ordenamento. Homens e máquinas desciam a parte mais bela e que deveria ser intocada da duna.
A proibição chegou, mas não deteve o processo de fragilidade do promissor destino. Aos poucos pousadas e restaurantes, surgidos durante a febre do "point" nacional, foram fechando suas portas e a praia começou a ser maltratada pela ação do homem.
Certamente o turista estrangeiro, que não desfrutou do paraíso Genipabu, teria visto com outros olhos uma praia nativa. Além de se surpreender e curtir o diferencial dos passeios e dromedários em plena praia tropical e os passeios de buggies por áreas próprias, ele poderia interagir com um passado preservado.
Complementando o parque, as duas lagoas que os nativos denominavam de lagoa de Fora, a menor, onde as mulheres dos pescadores lavavam suas roupas e a lagoa de Dentro, a maior, e hoje a mais bonita e fotografada. Por fazer parte de uma reserva de proteção ambiental, o acesso às lagoas é limitado, mas a paisagem pode ser desfrutada do alto das dunas, quando dos passeios de buggies.