Os dias de praia discreta e de muita paz para a Ponta de Santa Rita estão chegando ao fim. Ela fica situada entre os agitos da Redinha e a fama de Genipabu e assim mesmo conseguiu se manter, até hoje, como uma pequena vila e uma praia de veraneio famíliar distante apenas dez quilômetros de Natal. Antiga comunidade de pescadores, até bem pouco tempo também era chamada de Genipabu - de quem é separada apenas pelas dunas - mas cresceu e se tornou independente.
Até à metade do século passado, Santa Rita era desfrutada no veraneio por poucas famílias de Natal que enfrentavam uma caminhada pela beira mar, de nove quilômetros, a partir da Redinha, após a travessia de barco no rio Potengi, levando nas mãos, nas cargas dos burros ou nas bicicletas os mantimentos para passar a temporada, reabastecidos às segundas-feiras, na tradicional feira das Rocas.
As suas dunas, por detrás das pequenas casas de palha dos pescadores não eram cortadas pelos buggys. E por conta desse intenso tráfego estão perdendo altura e um dia podem até desaparecer. Os cajueiros, os pés de mangaba, de araçá e de camboim ou as velhas gameleiras deram lugar a uma criminosa ocupação de casas, sob o olhar indiferente do poder público, numa verdadeira ameaça ao meio ambiente e ao eco-sistema da região.
Servida por um bom sistema de transportes coletivos, cujas tarifas são as mesmas de Natal, apesar de pertencer ao município de Extremoz, Santa Rita é uma praia para o turismo de passagem. Ou seja, passa por lá o turista que trafega pela orla ou então pelas suas dunas, que são o ponto de partida para os passeios de buggy e de dromedários em Genipabu. Não há onde ficar.
Não há restaurantes nem hotéis. Pousadas simples e pequenos bares a beira mar podem ser encontradas, mas tudo muito modesto, como é o caso do Bar do Clodoaldo, à beira do pocinho da Sauna, que e uma verdadeira piscina, ideal para o banho de crianças e de idosos, pois está encravada entre as areias e os parrachos.
Mas os olhos do futuro já estão voltados para Santa Rita. Quando a ponte ligando o Forte à Redinha estiver concluída, provavelmente no final do próximo ano, ela ficará distante apenas 12 quilômetros do centro de Natal, ou seja distância muito inferior do que a famosa Ponta Negra. E aí, a tranqüilidade da Santa Rita vai dar lugar ao mundo agitado dos hotéis, pousadas e restaurantes e dos edifícios de condomínio,
Talvez o próximo verão seja o último de uma pacata vila/praia e que, por incrível que pareça, oferece melhores banhos, durante a baixa-mar na tranqüilidade de seus poços todos com nome de peixe, como Dentão, Gato, Caraúnas e Saúna e de cuja ponta viu orgulhosa a sua vizinha Natal crescer e se tornar uma bela cidade turística.
Em tempo: Santa Rita é aquela ponta, ao norte, cheia de coqueiros que se avista em qualquer parte da orla do centro de Natal e do farol de Mãe Luiz ou do princípio da Via Costeira.