Ela é o primeiro e encantador cenário que abre as portas para uma parte do Litoral dos Golfinhos. Quem vai a Tibau do Sul e Pipa margeia as suas águas, coqueirais e manguezais. Ela também impera a paisagem nos destinos de Arêz e Senador Georgino Avelino e banha as terras de Goianinha.
A natureza contribuiu para a imensidão da Lagoa das Guaraíras – são cerca de sete quilômetros de extensão por três quilômetros de largura – pois antes de ser gigante e ser aberta para o mar, ela ficava escondida até que o mar derrubou o istmo que ligava as praias de Malembá e Tibau do Sul.
O crescimento das águas ameaçou uma pequena comunidade que foi obrigada a se transferir para uma parte mais alta, que hoje é a cidade de Tibau do Sul.
Mas Guaraíras além de bela tem uma atividade econômica muito importante para os quatro municípios que a cercam, com a criação de camarões, pesca artesanal feita em canoas. No turismo o destaque são para os longos passeios de barco, lancha, e canoa, a pesca esportiva, kite-surf e até banana-boat. E seria uma injustiça não se falar no por do sol das Guaraíras que enche de prateado ou dourado, depende da hora, as suas plácidas e tranquilas águas. Golfinhos e botos são frequentemente vistos mergulhando e brincando acompanhando os barcos.
Sobre os botos, o escritor Hélio Galvão registra que certo índio da aldeia de Guaraíra, em momento de retorno sentimental à vida selvagem, esquecido das lições que recebia, matou uma criança. Matou e comeu e o povo e os parentes da pequena vítima, reagiram veementemente e intencionavam imolar a tradição cultural da antropofagia, que irrompera, inusitadamente ameaçando a cultura branca, européia.
Um padre interferiu e mandou que ele ficasse dentro d'água, até que fosse chamado. Mas quando procurado não foi encontrado. Foi quando começou a aparecer nas águas da lagoa um Peixe-boi indo e vindo de um lado para o outro. Alta noite, o que se ouvia, subindo das águas salgadas da lagoa, era o gemido pavoroso de tremer, horripilante, dolorido, inesquecível.
Atualmente, Guaraíras apresenta-se muito assoreada com profundidades relativamente menores que um metro em suas águas interiores dificultando a navegação A grande quantidade de viveiros de camarão funcionam como represas no sistema, retendo um volume de água considerável, provocando uma diminuição na descarga fluvial.
Na Lagoa das Guaraíras. está a Ilha do Flamengo, palco de uma grande luta entre holandeses e portugueses, pela conquista do litoral brasileiro.
Ela tem esse nome, por conta da presença dos holandeses, entre 1633 e 1654, quando dominaram a capitânia do Rio Grande do Norte, a partir de Natal, que passou a se chamar de Nova Amsterdã.
Na ilha eles edificaram uma casa forte, onde guardavam a madeira e outras riquezas da época, para embarque aos portos da Europa. Quem vai a ilha encontra pedras e muralhas que são o que restou daquela edificação.
Segundo os historiados, durante o domínio holandês, a ilha e sua casa forte sofreram um ataque das tropas portuguesas, auxiliadas pelos nativos, tendo no comando da operação Henrique Dias, o Governador dos Pretos. Os soldados de Henrique Dias passaram com água na cintura e a luta foi intensa. Dos holandeses só escaparam cinco ou seis e os demais foram mortos com os índios e escravos. Do lado luso-brasileiro, houve baixa de três soldados e um pardo e muitos feridos e um saldo de uma boa pilhagem.
Para se chegar à ilha, há duas maneiras, uma com a maré cheia, a partir de Tibau do Sul ou de Senador Georgino Avelino, num passeio turístico que percorre boa parte da lagoa das Guaraíras. O outro, com a maré seca, de canoa, a partir do distrito de Patané.