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Arez, viagem ao passado


Dentro do complexo turístico que vem se consolidando no litoral sul potiguar, a cidade de Arez quer ser a referência de turismo histórico e cultural da região. A igreja e o cemitério são atrações

Fotos Maxwell Oliveira


Com um passado rico, pois foi uma das cidades mais importantes do Rio Grande do Norte, Arez tinha na produção da cana de açúcar e no belo convento e igreja católicos, uma das lideranças do Agreste. Segunda vila a ser criada no Estado, as suas terras já vinham sendo visitada por franceses e espanhóis, desde 1595, a procura da madeira abundante da mata atlântica do litoral.

A denominação da cidade é de origem portuguesa e foi uma homenagem a uma vila do Alentejo de Portugal. Mas antes, era uma aldeia de índios, da nação Tupi, que obedecia as ordem do cacique Jacumaúma. Em 15 de junho de 1760, o aldeamento passou à categoria de vila, a Vila Nova de Arez, condição que perdeu em 07 de agosto de 1832, quando passou a integrar o território de uma nova vila criada, a de Goianinha.

Em dezembro de 1876 a categoria de vila foi novamente restaurada e em 1938 ganhou foros de cidade. O município tem 15 mil habitantes e ocupa uma área de 117 quilômetros quadrados. Agora, no início do Século XXI, Arez quer retomar sua importância na região, através do turismo cultural e religioso. A cidade tem um grande acervo, a partir de sua igreja e residência dos jesuítas, do frontispício do cemitério público, pelourinho, cruzeiro, casarão colonial e o canhão do fortim da ilha do Flamengo.

A Igreja Católica foi a primeira a chegar a Arez, depois do invasor holandês.. Com a vinda dos padres Jesuítas, no Século XVII, foi fundada a Missão de São João Batista de Guaraíras, A igreja é uma das mais antigas do Brasil preservando 75% de sua originalidade. Há peças de rara beleza, como lavabos e pias de artistas portugueses, da metade do Século XVIII. Uma das obras de arte tombadas pelo Instituto Histórico Nacional é o conjunto de imagens dos Três Reis Magos, também da metade do Século XVIII, mas o autor das peças ainda está no anonimato.

Segundo o historiador potiguar, Luís da Câmara Cascudo, junto à igreja, erguia-se o "hospitium", que o povo chamava de convento, a residência, o abrigo a pousada. Em frente à Igreja, no seu adro, há um pelourinho, também conhecido como Santa Coluna. Os historiadores revelam que, em 1760, data da criação da Vila Nova de Arez, foi erguido esse pelourinho, de estilo português. Há uma outra versão para a origem desse monumento. Conta-se, também, que na passagem do Século XVIII, o Rei de Portugal presenteou a cidade com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, passando o monumento a chamar-se de Santa Coluna. O conjunto de prédios fica situado na praça principal da cidade e é todo em estilo barroco.

Há cidades que tem os cemitérios como uma de suas principais atrações turísticas. Uma delas é Paris. E guardando as devidas proporções, Arez também é uma delas, com o frontispício do Cemitério. Ele obedece a um estilo ornamental rococó, o que garantiu o reconhecimento nacional do seu valor, pois foi tombado pelo Patrimônio Histórico.

Segundo a pesquisadora Jeane Nesi, trata-se de um frontispício curvilíneo, emoldurado por cimalha e imitação de colunas da ordem corintia. As referidas colunas dividem simetricamente o frontão em cinco partes.

Tem uma arcada central de acesso, ladeado por quatro painéis de alvenaria, abundantemente ornamentados com conchas, volutas e rosáceas, ricas em detalhes decorativos. Dois daqueles painéis são vasados por janelas-miradouras.

O frontão e decorado por seis carruchéis em forma de losango, que lembram tochas e servem de tenentes a um elemento decorativo, em forma estilizada de sino, que coroa a arcada central. Sobre o referido sino, acha-se uma cruz simples, e de madeira, de formato latino.

A idéia da construção do frontispício de Arez foi do Frei Herculano, nascido em 1820 como Hermenegildo Vieira da Costa. O frontão do Cemitério de Arês - informa Jeane Nesi - foi construído em 1882. Apesar de se constituir de uma obra de arte do século passado, Frei Herculano optou por reviver, naquele frontão, o rebuscamento do estilo rococó, já então fora de uso.

A cidade, que está distante 58 quilômetros de Natal, ainda não oferece uma infra-estrutura para acomodar o turista, mas como fica próximo ao complexo hoteleiro de Tibau do Sul/Pipa, poderá aproveitar essa situação.


Texto: Hélio Cavalcanti
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FONTE: maps.google.com.br



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