Lagoa, açude ou represa? O reservatório acumulado pelas águas da chuva está a 400 metros de altitude, na serra de Patu, oferece um visão dos sertões do Rio Grande do Norte e da Paraíba.
A grande surpresa para quem desbrava a serra de Patú, além do Santuário do Lima, percorrendo o topo até à outra extremidade, é uma lagoa chamada de Santo Agostinho. É uma lagoa formada por águas pluviais, acumuladas no período do inverno e que ficam depositadas sobre um solo de calcário e pedra.
A primeira imagem nos remete ao sonho de que estamos em marte ou na lua e que, de repente, descobrimos água. E uma água em forma de lagoa, de açude ou de barragem, pura e cristalina. Água de chuva
A lagoa, no monte de Santo Agostinho está a 400 metros de altitude, e com uma temperatura ambiente que não ultrapassa aos 15ºC. Tem uma profundidade aproximada de três metros e uma área que lembra uma piscina de 25 metros.
Há estrada de acesso, mas quem prefere uma aventura mais emocionante, o bom é uma caminhada sobre a serra, pois quando se chega a lagoa, o corpo, depois de uma longa jornada,exige recuperação e nada melhor do que um gostoso banho. E quem vai ligar para a água gelada? Só um cuidado: quem se arrisca a pular de vez, pode sofrer um choque térmico ou, no mínimo, uma senhora tremedeira.
A melhor maneira é ir aos poucos. Primeiro os pés, depois as pernas até a água chegar à cintura, depois ao peito e ao pescoço. O mergulho completo é o último passo. A água fria está dominada.
Para quem vinha sofrendo os efeitos de um calor de 38º C, em toda a região oeste. O banho na piscina gelada é mais uma sensacional experiência. E depois do primeiro mergulho não dá mais vontade de sair.
As pedras que cercam a lagoa são brancas e muitas vezes se tem a impressão de que são pequenas dunas. Na lagoa também tem uma vegetação típica, que forma ilhas ou fica às margens.
Depois do mergulho e das forças recuperadas, é hora de fazer o caminho inverso. Agora é mais descer do que subir, mas é preciso muito cuidado, porque há locais muito íngremes e que chegam muito próximos a precipícios.
Antes da partida, uma visão mostra os limites. De um lado, as terras de Catolé do Rocha, na Paraíba, do outro Patu e as serras de Martins. No inverno, uma paisagem verde, no verão, uma paisagem árida e cinza.
A serra de Patu é um convite para a aventura. Apesar de não ser uma das mais altas do Rio Grande do Norte tem fácil acesso até ao Santuário do Lima.
Ela fica no município de Patu, cujo território possui mais seis serras. Ela tem aproximadamente seis quilômetros de extensão e uma grande variedade de fauna e flora, com formação geológica composta principalmente por granitos finos e grosseiros, granitos pórfiros, granodioritos, de coloração cinza, cinza claro e róseo, pertencente ao embasamento Cristalino, com idade Pré-Cambriano, em torno de um milhão de anos.
Devido ao relevo e excelentes condições climáticas a área serrana possui todos os pré-requisitos para pratica de vários tipos de esportes radicais como vôo livre, trilhas ecológicas, rapel e enduros. O Santuário do Lima divide a Serra praticamente ao meio, onde à sua esquerda, podem ser localizados dois pontos importantes para o turismo ecológico, a Serra do Cruzeiro, onde cravou-se um cruzeiro, símbolo da força da igreja católica.
Ao pé da serra do Lima existe uma mata nativa denominada de Vale do Jatobá, que tem como característica a riqueza de sua fauna e flora preservada a mais de 50 anos, resultante do trabalho deixado pelo proprietário Dino Suassuna. Nesse vale há árvores e cipós gigantescos que chegam a medir entre dez a quinze metros. A mata nativa é composta principalmente por jatobás, ipê roxo, aroeira e mororó, espécies também comuns à mata Atlântica.
No Vale, cuja área é de aproximadamente cinco hectares, é fácil encontrar cascas do coco catolé, deixados pelos macacos pregos e por micos-leões, que são os frutos de seus cardápios alimentares.