No topo da Serra do Sapoio, quase na fronteira com a Espanha, Marvão, seu castelo e suas muralhas simbolizam a defesa das terras portuguesas diante do poderio do antigo reino de Castela.
A Vila de Marvão, na região alentejana portuguesa, floresceu no topo de uma serra, a 860 metros de altitude em relação ao nível do mar. Ela nasceu e cresceu à sombra de um castelo, albergando cavaleiros e seus servos, soldados, e todos aqueles que voluntária ou involuntariamente, ajudaram a defender ou procuraram abrigo dentro da cerca medieval.
Os crescimentos urbano e demográfico tiveram seu pique no século XVI, com o arruamento principal se equilibrando entre a meia encosta, de modo mais suave e curto, partindo da porta principal, conhecida como Portas da Vila, e o Castelo.
Quem tem o privilegio de percorrer as ruas frias e estreitas de Marvão vai se deparando com prédios antigos e bem conservados, que se espalham desde o Largo do Pelourinho, os antigos Paços de Conselho (ou Concelho), com a Cadeia no primeiro piso e o Tribunal nas traseiras, ladeado pela Torre do Relógio. Depois vem a Rua de Cima, que começa nas Portas de Rodão, passagem obrigatória para enfrentar a ladeira que leva ao Castelo, passando antes pela Casa do Governador militar, com belas sacadas em ferro forjado do séc. XVII, paredes meias com antigas instalações de um Seminário e com a Igreja do Espírito Santo. Em mais um Largo, a Fonte do Conselho (ou Concelho).
O cenário encantado é de uma riqueza simples e monumental, com o casario, ruas, e ruelas, largos, terreiros, quintais acanhados, muros altos envolvendo os poucos logradouros existentes, deixando a sensação de que o homem dominou a massa compacta do afloramento rochoso e a moldou como seu habitat, apesar da extrema dureza do solo, formados por quartzitos.
Conforme se avança pela pequena vila se constata que o conjunto dos prédios civis e religiosas segue sempre os mesmos princípios e às circunstâncias exigidas pelo sítio, com as paredes, em alvenaria de pedra agarrada com cal; os pavimentos, em sobrado ou elementos cerâmicos quando térreos; os telhados, executados com telha mourisca assentada em estrutura de madeira (geralmente castanho); rebocos, executados com argamassa de cal, cal que serviu igualmente para pintá-los de branco.
A preservação de Marvão até aos dias de hoje, é justificada pelo abandono que a vila sofreu, provocado pelo êxodo das populações a partir de um longo período de guerra que começou em 1640, permitindo a manutenção quase incólume da sua expressão antiga, limitada pelas muralhas da fortaleza, que não originou o crescimento do seu tecido urbano para extra muros.
Na parte mais alta está o Castelo de Marvão que foi uma fortificação estratégica de detenção dos invasores, orientada para a fronteira espanhola, distante apenas 13 quilômetros. Ele sempre foi um extraordinário ponto de observação e vigilância, fazendo parte da primeira linha de detenção, pós Tratado de Alcanizes. É constituído em dois recintos contíguos que, por questões defensivas, tiveram que abarcar toda a crista rochosa mais elevada. A fortificação era considerada a mais inconquistável de todo o reino lusitano
Aos pés do Castelo, está o Museu Municipal, que surgiu das ruínas da Igreja de Santa Maria, em 1987, fruto da vontade da população de Marvão que ofereceu ou cedeu peças para o seu acervo.