Ele não gosta de ser definido com uma celebridade em Fernando de Noronha. “Celebridade aqui é o Morro do Pico”, diz Zé Maria, um querido personagem da ilha que ficou famoso pelo seu estilo de guru “paz e amor”. José Maria Sultano largou o comando de 49 lojas de uma famosa rede de supermercados no Recife para construir uma bem sucedida vida em Noronha, há 21 anos.
A pousada e o restaurante que levam atualmente seu nome não foram exatamente a causa, mas sim conseqüências de sua ida para Noronha, atendendo um convite do então governador pernambucano Miguel Arraes para construir um mercado para abastecer e alimentar os nativos. Seus longos cabelos e sua longa barba não foram mais cortados desde então. De mudança, “só a cor branca”, contou ele, em um bate-papo – assim como o próprio – bastante descontraído.
Talvez ninguém tenha encarnado tão bem o espírito de Noronha como Zé Maria . “No terceiro dia de visita à ilha, ela já tinha me conquistado e decidi morar aqui”, lembrou de sua rápida identificação com as belezas e a tranqüilidade de Fernando de Noronha. “Foi um encontro, de cara, com minha essência escondida até então”.
O amor de Zé pela natureza combina muito bem com Noronha. Acima da consciência da preservação, seu espírito encarna a alma dos índios em seu respeito pela natureza.
Além do mercado, Zé Maria começou a receber turistas em sua casa.
Seu jeito descontraído rapidamente foi propagado boca-a-boca e, tempos depois, todos queriam se hospedar com o famoso personagem de Noronha. Foi aí que surgiu a ideia de ampliar a estrutura e construir a melhor pousada do Brasil, segundo uma premiação da revista Quatro Rodas, em 2007.
Para ampliar a estrutura da pousada, não foi retirada nenhuma árvore, e com orgulho ele nos mostrou a pitangueira, os cajueiros e os caminhos serpenteando ao seu redor onde foram construídos os novos bangalôs há 16 anos. O restaurante veio oito anos mais tarde, em 2001, quando Zé Maria decidiu levar ao público seus dons culinários.
Ele inventava alguns pratos esporádicos e os hóspedes iam gostando.
Hoje, seu restaurante e pousada são bastante conhecidos, sendo Zé Maria um dos principais incentivadores do turismo na ilha. Famosos nacionais e internacionais são clientes comuns por lá. Apesar disso, “pode chegar o presidente da República que vou recebê-lo com a mesma simpatia e as mesmas sandálias havaianas no pé”.
Parte do consumo mensal de três toneladas de pescados vem do próprio Zé Maria. Ele tem um barco de pesca e, ainda, um de turismo. A maioria das hortaliças também não precisa ser importada, pois são plantadas no hotel. “Quanto menos eu for ao continente, agradeço”. No Recife, ele tem uma agência de turismo e um escritório de representação, aos cuidados de alguns, dos inumeráveis filhos. Dois deles moram em Noronha e ajudam ao pai a cuidar dos empreendimentos.
Além dos filhos, os funcionários são considerados parte de sua família. “Nossa relação é de pai e filhos também, eles são muito importantes para mim como pessoa”, diz o pousadeiro, casado há vinte anos com uma mulher conhecida em Recife e levada ao altar em Noronha. “Temos uma relação moderna. É ela no continente e eu na ilha”, gargalhou, com seu humor sempre para cima.
Em Noronha, ele diz ter tudo o que precisa e o que falta chega. Com a vida bem sucedida profissionalmente e com o contato diário com a natureza, Zé Maria diz que é muito feliz. “Mas não me satisfaço com tudo o que conquistei. Estou sempre de olho em novos projetos. No dia que eu parar eu morro. E eu não quero morrer nem tão cedo”.
Se você chegar em Noronha e se encontrar com um cabeludo e barbudo dos fios brancos, com um largo sorriso no rosto e sandálias havaianas no pé pode ter certeza que é o ilustre Zé Maria, um dos principais incentivadores do turismo em Noronha.
Com seu jeitinho, ele organizou a única coisa que faltava na ilha, unir o conforto da atualidade com seus recursos tecnológicos, preservando a natureza de um santuário ecológico.
Cuidados que foram observados nos mínimos detalhes e apreciados pelos turistas.