08/03/2010

 

O que seria dos espertos, se não fossem os otários?
Recentemente recebemos uma nota para a redação, com a seguinte denúncia:
Novo Golpe em Natal

Hélio Cavalcanti

"Um novo tipo de golpe está ocorrendo em Natal. Aproveitando-se da maior atividade do Estado, o turismo, um guia de turismo fraudulento está vendendo passeios de buggy para os litorais do Rio Grande do Norte. Com muita esperteza, o guia convence o turista com folders das empresas, a fazer o pagamento antecipado do passeio, e simplesmente não aparece no local e hora combinados. Empresas do ramo, turistas e sociedade local devem ser alertadas sobre esse mais novo "conto do vigário", que "mancha" a imagem das empresas que fazem um trabalho sério para fortalecer a atividade turística em nosso Estado."

É ai, onde entra a pergunta título "O que seria dos espertos, se não fossem os otários?
Antes de tudo, é bom lembrar que o golpe não está sendo dado por um guia de turismo fraudulento. Está sendo praticado por um estelionatário que se faz passar por guia. É um criminoso. E assim é que deve ser tratado e a sua ação deve ser alertada à polícia. Algum lesado foi à delegacia do turista? Fez boletim de ocorrência?  Se deu ao cuidado de pedir credencias, identidades ou referências, telefone da empresa dos passeios?

Se não fez nada disso, eu volto a perguntar "O que seria dos espertos, se não fossem os otários".

Há um tipo de turista que tem escrito na testa "eu sou um babaca!". É aquele que vai caminhar na praia das cidades que acabou de chegar, exibindo possantes máquinas fotográficas, jóias e telefones celulares cheios de mil badulaques. O bandido vê aquilo tudo e deduz que é um presente para ele e faz o rapa.

Não estamos aqui defendendo a ação do bandido. Pelo contrário. Lamentamos que o marketing turístico de uma cidade seja vendido, alardeando a segurança para o turista. O ideal é que ele tivesse mesmo o direito de ser babaca, levando todos os seus equipamentos para onde bem entendesse, sem ser molestado, garantido por um eficiente sistema de segurança.

Essa história de se tentar justificar a ação criminosa, por conta da pobreza da população local, é apenas desculpas. Sei de vários casos de assaltos em pleno metrô de Paris, ou nas famosas Ramblas espanholas de Barcelona, por exemplo. E até a troca de moeda falsa em pleno banco oficial, no aeroporto e Buenos Aires

É recomendável para algum turista de bom senso que, antes de empreender qualquer viagem turística, se dê ao cuidado de pesquisar o destino visitado, pedir dicas a quem já o conhece ou - mais acertadamente - ouvir um consultor de viagem. Nesse último caso, ele poderá até oferecer bilhetes e pacotes para passeios, por preços bastantes acessíveis, sem o perigo de estar correndo riscos de perder dinheiro

No caso específico de Natal é comum o turista chegar e alugar um buggy para percorrer os desconhecidos e perigosos caminhos das dunas. Muitos acidentes fatais já aconteceram por conta dos meandros das dunas móveis. Não seria mais prático contratar um buggueiro que, além da experiência é um profissional responsável?

È comum vê nos principais corredores turísticos, grupos de garotos e rapazes oferecendo passeios pelas dunas, mergulho nos parrachos, aventura em skibundas. O turista incauto vai na usura, compra o pacote por um preço mais baixo do que pesquisou ou foi oferecido no hotel e vai se divertir. Ledo engano. É papo furado. Prejú e volta para casa queimando o filme do destino. Deveria queimar era o seu.

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